Associação Comercial e Industrial de Valinhos
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COLUNA EMPREENDER

Os Desafios de Mercado e o Associativismo

Flávio de Almeida Jr
Agente do Projeto Empreender em Valinhos

As micros e pequenas empresas (MPE’s) têm na maioria dos países um alto índice de mortalidade, podendo chegar em mais de 50% em algumas regiões e em alguns setores, em seu primeiro ano de vida. Podemos citar algumas razões para esse índice:

o Gestão deficiente;
o Falta de formação do empresário e de seus funcionários;
o Uso de tecnologias defasadas;
o Baixa qualidade dos produtos/serviços ofertados;
o Dificuldades para acessar linhas de crédito;
o Falta de planejamento;
o e muitas outras.

Por outro lado mais de 95% de todas as empresas dos países, desenvolvidos ou em desenvolvimento, são micro ou pequenas, e portanto, têm importância fundamental nas suas economias.
No Brasil temos cerca de 4,5 milhões de MPE, que representam 98% das empresas do país, 59% dos empregos, 48% da produção e 42% dos salários.
Assim, estratégias tradicionais de apoio, baseadas na oferta de serviços e produtos para minimizar as dificuldades enfrentadas pelos empresários produzem um resultado parcial.
As MPE’s agem como verdadeiros “colchões” sociais, absorvendo grande parte da mão-de-obra dispensada do setor industrial, devido às reestruturações, melhoria de produtividade e incorporação de novas tecnologias do setor. A principal característica da mão-de-obra nas MPE’s é sua baixa qualificação, o que compromete a qualidade do produto final e aumenta o custo de produção.
Outra dificuldade tradicional é a má qualidade da gestão empresarial, demonstrando que os empresários necessitam estar melhor preparados para enfrentar a exigência dos clientes do novo século e a crescente competitividade de produtos, informações e empresas. A competitividade influi ate mesmo na distribuição populacional de um território e nas leis que regem um país. E hoje esta competitividade e realizada de forma global, ou seja, não há mais fronteiras para a busca de mercados.
Um dado pouco divulgado, e que o fechamento prematuro das MPE’s custa em São Paulo o equivalente a 1,2% do PIB nacional e 500 mil postos de trabalho por ano. O equivalente a 1,1 milhões de carros populares em perdas para a economia e 7 estádios do Morumbi lotados em postos de trabalho.
É dentro deste panorama que surge uma nova proposta para que os empresários possam utilizar como ferramenta competitiva. Se até a alguns anos acreditava-se que a competitividade dependia apenas de capital e infra-estrutura, a experiência de países como a Irlanda e a Itália revelou que a ação coletiva é fundamental. A capacidade de comunidades e regiões se organizarem, definirem vocações e mobilizarem forças em torno de um objetivo comum é o novo fator da competitividade. O esforço conjunto de empresas (fornecedores e concorrentes), sindicatos, universidades, poder público e centros de formação de mão-de-obra torna o grupo mais sólido, eficaz e habilitado para conquistar mercados maiores e gerar riquezas à comunidade ou região.
Para as pequenas empresas, a integração com a cadeia produtiva é especialmente importante, já que os recursos financeiros são escassos. A parceria passa a ser o diferencial, permitindo a realização de ações essenciais à competitividade, como aquisição de matérias-primas e insumos em melhores condições, produção em larga escala, pesquisa e desenvolvimento de novos produtos e tecnologias, comercialização profissionalizada e estratégias de marketing, redução do custo de estoque, permite criar esquemas logísticos mais eficientes e baratos, aumenta a representatividade política das empresas.
As ações de cooperação desenvolvidas por empreendedores, e o Brasil é considerado um dos países com o maior numero de empreendedores no mundo, que compartilham objetivos são cada vez maiores e freqüentes, até porque o mundo exige mudanças de comportamento.
E este é o ponto fundamental da viabilidade dos projetos associativos no Brasil. Nossa cultura, devido ao nosso processo histórico, não dá o devido valor às vantagens da cooperação, enaltecendo a atitude individual como realização pessoal. Vide nosso modelo de ensino, que valoriza o individuo mais qualificado, as empresas que aumentam as vantagens dos melhores trabalhadores, os programas de TV que valorizam quem acaba em 1º lugar nas disputas, sempre com foco nas atitudes que favorecem apenas 1, e não o grupo. Desta forma, os empresários inseridos nesta cultura, têm medo de discutir seus problemas com outros empresários e acabam não confiando em auxilio externo. Isto é traduzido no medo de ser passado para traz, o medo de ter prejuízos, o medo de assumir responsabilidades diferentes, o medo de não ser aceito, etc. As pressões sociais também contribuem para formar este cenário de insegurança.
As lideranças da nova faceta de cultura do associativismo ainda estão em fase de desenvolvimento e os órgãos apoiadores ainda têm dificuldade de disseminar o conhecimento e a experiência adquirida por grupos e empresários que desafiaram o antigo modelo cultural, substituindo o estado de desanimo por uma nova esperança e por resultados impressionantes. Estas lideranças têm o papel desafiador de conduzir os grupos através deste “mar” de inseguranças e leva-los ate um porto seguro.
O Empreender traz esta proposta inovadora dentro do seu escopo, de forma imparcial estimula os empresários a se organizarem e definirem suas demandas. Mas sua principal característica social é a formação das novas lideranças dentro do município, que terão o papel de conduzir os negócios na realidade do próximo século.
Para finalizar gostaria de citar uma frase para traduzir este sentimento:

“Quem faz erra, quem não faz já errou.”

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